segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um jovem jornalista desafiador



Ganhador do prêmio de melhor TCC da faculdade de comunicação , hoje com 26 anos já cursa mestrado e pós graduação


Zeliangela Meneghelli – 5C2


Jovem, jornalista, sonhador, aptidão para escrever, amante da música e da literatura, assim se define em algumas palavras Flávio Borgneth. Grande admirador do pai, o médico José Antonio, tentando de certa forma imitá-lo, prestou vestibular algumas vezes para Medicina, não obtendo êxito, viu que sua paixão por escrever, paixão está que se iniciou desde muito pequeno, o levaria a ser um bom jornalista. Cursou então Jornalismo na Faesa, estagiou na Aracruz Celulose, onde aprendeu muito, trabalhou em A Gazeta e hoje enfrenta um novo desafio, o de ir em busca de algo novo, arriscando até mesmo seu emprego.


Como todo formando chegou a hora de fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, e optou pela escolha de um tema que estava em débito aqui no Estado, “A imprensa no Espírito Santo na época da ditadura militar”, que lhe rendeu um livro, que após cair nas mãos de um dos editores de política de A Gazeta, foi convidado a trabalhar nesta editoria, trabalhando lá até os dias atuais. Hoje atua no caderno semanal “Leve a vida”, de A Gazeta, mas em breve pedirá demissão para investir esse ano só em estudos, dedicando-se a seu mestrado de ciências políticas na Ufes, sua pós-graduação que faz em São Paulo, e ao término e a publicação do seu livro “Enquanto seu lobo não vem: a ditadura militar no Espírito Santo”, que até hoje ainda não foi publicado.


Ao contrário do que muitos pensam, Flávio não gosta muito de ler coisas jornalísticas, mas gosta muito de literatura, dois escritores que cita é Pedro Juan Gutierrez e Henry Miller. Sua paixão pela escrita e pelos livros vem de muito cedo. Flávio conta que quando tinha uns 10 anos, ganhou uma máquina de escrever da avó, e logo quis fazer um jornal sobre seus amigos e suas aventuras no morro em que morava em Cachoeiro de Itapemirim, sua cidade natal, mas esta idéia não deu muito certo, e lembrava sempre desse episódio toda vez que ia a alguma livraria com o pai.


Quando criança teve um sério problema nos olhos e teve que fazer tratamento seguido de cirurgia, um fato que o marcou desta época é que quando ia para o médico no Rio de Janeiro, o táxi passava em frente ao prédio do Jornal do Brasil, seus olhos fitavam o local e toda vez ele fazia questão de perguntar ao pai que prédio era aquele. O jovem jornalista revela que pelo fato de ter sido obeso na adolescência, passava muito tempo em casa, o que o fazia compensar nos estudos e nas leituras, passando então a escrever muito e pegando gosto pela escrita, passando entfazer uma entrevista numa comunidade quilombola, pois já que não teria destaque por ser acima do peso, teria por ser inteligente.


Mas a ficha de que seria jornalista só caiu mesmo quando estagiava na Aracruz Celulose e foi enviado à Bahia para fazer uma entrevista em uma comunidade quilombola. E nesta entrevista aconteceu um episódio que marcou muito sua carreira. Ele conta que chegando lá, encontrou uma casa toda branca por fora e azul por dentro, tinha duas portas, bateu palmas por diversas vezes, até que viu uma mulher sentada, chamou-a e continuou batendo palmas, ela não o atendia. Quando já ia xingar a mulher, chegou uma senhora e disse a ele que aquela mulher era cega.


O jovem estudante mesmo sabendo do problema da mulher foi lá fez a matéria e descobriu que aquela mulher era cega porque teve o mesmo problema que ele teve nos olhos quando era criança, a diferença é que ela não tinha dinheiro para pagar a cirurgia. “Naquela hora eu vi que não era só escrever bonito, mas de alguma maneira tentar mostrar isso para que não acontecesse de novo. Para fazer com que outras pessoas não ficassem cegas. Não só de uma maneira física, mas de outras maneiras também. Não somos donos da verdade, mas podemos falar alguma coisa que ajude de alguma forma às pessoas”, afirma Flávio Borgneth.


Por gostar muito de música e literatura, nunca pensou em trabalhar com política, mas sempre quis entender a época da ditadura, porque as pessoas lutavam por um ideal e se arriscavam tanto por um país, que segundo ele é uma invenção. E nessa busca Flávio encontrou muitas histórias que ninguém ainda tinha contado, e isso as tornava boas histórias. Mesmo na editoria de Política, sempre que podia ele escrevia de uma forma diferente, até mesmo literária. Neste ano Flávio se dedicará exclusivamente aos estudos, com grandes expectativas de um futuro promissor, mesmo sem fazer muitos planos, vivendo o presente de forma intensa: “Eu ainda sou novo, sei que posso arriscar”, enfatiza Flávio.

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